O Interior do Salão
O ambiente interno do salão era organizado em dois espaços principais: um salão amplo de pé-direito alto, destinado às reuniões noturnas e à música, e uma sala menor, mais reservada, usada para conversas de negócios e encontros políticos informais. A divisão entre os dois ambientes era marcada por um arco de alvenaria decorado com um painel de azulejos, elemento que se tornou uma das marcas visuais mais lembradas do edifício.
Os painéis de azulejo
Segundo depoimentos recolhidos pela curadoria deste museu junto a descendentes de frequentadores do salão, os painéis de azulejo que cobriam parte das paredes internas reproduziam motivos geométricos de influência portuguesa, em tons de azul-indigo sobre fundo claro. Esses painéis não eram apenas decorativos: funcionavam também como proteção da parede contra a umidade constante da orla, um problema recorrente em edifícios construídos tão próximos do mar.
Mobiliário e iluminação
O mobiliário descrito nas fontes consultadas combinava peças de madeira maciça, de fabricação local, com alguns itens importados trazidos por comerciantes que frequentavam o porto de Florianópolis. A iluminação, inicialmente a lampião, foi substituída por instalação elétrica ainda na década de 1930, um dos primeiros edifícios da orla a receber esse tipo de melhoria, segundo registros municipais da época.
A varanda, tratada em detalhe na seção O Cais e a Orla, servia como extensão natural do salão principal nas noites de clima favorável, ampliando a capacidade do espaço e oferecendo vista direta para o movimento do cais.
A sala reservada
Ao contrário do salão principal, decorado de forma mais aberta e festiva, a sala reservada do edifício mantinha um tom mais sóbrio, com paredes lisas e poucos elementos decorativos. Era nesse ambiente que ocorriam as conversas de negócios e os encontros políticos informais mencionados em relatos de época, longe do movimento mais intenso das noites de música.
Detalhes de acabamento
O piso do salão principal, segundo descrições reunidas pela curadoria, era revestido com tábuas de madeira local tratadas com óleo, uma solução prática e durável para um ambiente de grande circulação. Já o piso da varanda, mais exposto à umidade do mar, utilizava lajotas de cerâmica, uma escolha que também aparece em outras construções da orla da mesma época.
Esses pequenos detalhes de acabamento, embora menos visíveis do que os painéis de azulejo ou o telhado de meia-água, ajudam a compor um retrato mais completo da experiência sensorial de quem frequentava o salão nas noites de maior movimento.