Depois do Decreto
Com o fechamento determinado pelo Decreto-Lei nº 9.215 de 1946, o edifício do salão passou por uma série de transformações de uso ao longo das décadas seguintes. A pesquisa histórica reunida para este museu virtual identificou ao menos três fases distintas de ocupação do espaço entre o final dos anos 1940 e a metade do século XX.
Primeira fase: uso comunitário
Nos anos imediatamente seguintes ao fechamento, o edifício foi utilizado de forma intermitente para eventos comunitários da orla, como festas de bairro e reuniões de associações locais. A estrutura arquitetônica, com seu salão amplo e varanda voltada para o mar, mostrou-se adequada para esse novo tipo de uso, ainda que sem a regularidade das antigas reuniões noturnas.
Segunda fase: ocupação comercial
Já na década seguinte, parte do térreo do edifício foi adaptada para pequenos comércios ligados à atividade pesqueira da orla, aproveitando a proximidade com o cais e o mercado público. Essa fase é documentada em fotografias de arquivos municipais que mostram a fachada original parcialmente modificada para acomodar vitrines comerciais.
Memória preservada
Embora o edifício original não exista mais na configuração descrita neste museu, elementos de sua arquitetura — como o telhado de meia-água e os vãos de janela açorianos — podem ainda ser reconhecidos em construções vizinhas da mesma época, preservadas em trechos da orla histórica de Florianópolis. Essa continuidade arquitetônica é um dos focos da pesquisa de curadoria apresentada em Fontes e Curadoria.
Para explorar a localização desses pontos remanescentes, consulte o Mapa da Ilha.
Terceira fase: esquecimento e redescoberta
Já na segunda metade do século XX, com a expansão urbana de Florianópolis e a modernização de parte da orla, o terreno original do salão passou por novas intervenções que pouco preservaram da estrutura inicial. Foi justamente esse processo de transformação acelerada que motivou, décadas depois, o interesse de pesquisadores locais em documentar o que restava da memória oral sobre o edifício, antes que os últimos depoimentos de testemunhas diretas se perdessem.
O papel da memória oral na reconstituição
Boa parte do que hoje se sabe sobre os usos posteriores do edifício vem de entrevistas realizadas com descendentes de moradores da orla, que ainda guardam fotografias e objetos de família associados ao período. Esses relatos, embora sujeitos às naturais imprecisões da memória transmitida entre gerações, foram cruzados sempre que possível com registros documentais, conforme detalhado na seção Fontes e Curadoria.
A trajetória do edifício depois de 1946 ilustra um padrão comum a muitas construções históricas de cidades portuárias brasileiras: a perda física da estrutura original não significa, necessariamente, o desaparecimento da memória associada a ela. É justamente essa memória que este museu virtual busca preservar e tornar acessível.